
Aqui em casa o Barros fala bastante. Agora aqui na Apostila ele me deixa falando sozinho, fala aí amigão conta um pouco! De sua história:
– Desse jeito fico envergonhado, então vamos lá: – Eu José Ap. de Barros: Quero também > voltar ao passado < e compartilhar com vocês algumas de minhas lembranças e que marcaram a minha vida.
Lembro-me, que no ano de 1967, estava com 8 para 9 anos. Eu, juntamente com a família morava em São Paulo, no Bairro do Ipiranga, na Rua Belgrado, que ligava com a Via Anchieta que vai de São Paulo à Santos. O número da nossa casa infelizmente não lembro…. (Foto atual a seguir do quarteirão onde morávamos na Rua do Belgrado, e no fundo da imagem vemos a pracinha, e depois da pracinha seguindo em frente chega-se na Rodovia (avenida) Anchieta):


Neste tempo, meu pai sofria dos nervos, ele era muito abalado e tremia bastante. E nesta mesma época, ele foi internado em Itapira aqui no interior de São Paulo, num hospital de loucos. Ali em Ipiranga, a casa que morávamos tinha três cômodos. E no mesmo quintal existia outra casa nos fundos. Lembro-me que eu brincava com os colegas ali do quintal de jogar “bolinhas de gude”. E certo dia, brincando, eu e meus colegas, chegou meu pai e disse: _ “Zezinho (é como meus pais me chamavam), vai correndo na padaria me comprar um maço de cigarro!” Parece que era o cigarro da marca: “Macedônia”, neste tempo eu ajuntava as embalagens de marcas de cigarro. E trocava com meus colegas, igual a gente fazia com figurinhas. Lembro de algumas marcas, existia: “Luiz XV (Luiz 15)”, “Continental dessa marca quem fumava era o pai do Vanderlei”, “Capri”, “Kent essa quem fumava era a mãe do Vanderlei”, etc. Então, meu pai mandou eu ir correndo, e eu respondi: – Já vou! Hum! Porquê! Ele olhou para mim parecia um leão de bravo…. Sai então correndo em direção à praça onde ficava a padaria, ali perto de casa….

E sempre quando ia na padaria, a padaria era linda, muito chique e grande. Eu gostava do cheiro, e claro ali tinha de tudo que eu queria comer, tudo “coisa muito boa”, tinha mortadela, pão doce de tudo quanto é tipo (de coco, de goiabada, de creme), e sempre eu ficava olhando e com água na boca era um pão comprido e trançado, o “pão bengala”, ele tinha, agora sei, uns 90 cm. Neste tempo, as coisas e situação financeira para meus pais era muito difícil. Nem sempre a gente tinha pão e manteiga para comer. Então nem pensava nisto. Mas bastava ir na padaria, para sonhar com um pão bengala recheado e só pra mim. (risos).
Nessa época o que a gente comia bastante era polenta (de fubá). E na escola, todo mundo levava lanche para comer no recreio, então minha mãe preparava o meu lanche com carinho, nele tinha uns pedaços de polenta e uma garrafinha de ki-suco, ou limonada. E quando tinha pão, a mãe cortava um pedaço e passava banha de porco com um pouquinho de sal para dar sabor. Nesse tempo, o óleo era vendido nos armazéns, mercados assim: Existia no local um tambor de 200 litros, com uma bomba manual em cima, a gente levava um litro vazio e comprava o óleo e era muito caro. Então a banha era mais barata, minha mãe fazia nossas refeições com a banha. A lata de banha para mim era grande e redonda, com um rótulo verde e a figura de um porco. Então levava as vezes esse pão com banha e um pouco de sal, e eu sempre gostei mais de coisas salgadas do que os doces…. Voltando: Então no recreio, eu ia sentar longe e meio escondido dos colegas, eu sentia vergonha de eles verem meu lanche. A maioria ali só comia pão com mortadela, e naquele tempo, a peça inteira da mortadela era redonda parecendo uma bola, e as fatias eram bem grandes e grossas, e para mim muito mais saborosas do que agora (só de lembrar, vem o cheiro e o sabor da mortadela e a boca enche d’água, e a barriga ronca pedindo (risos)) ….


…. E um certo dia, escondido e bem tranquilo, eu comendo meu lanche delicioso de pão com banha e sal, veio um colega e sentou perto de mim, com seu lanche bem gordo de mortadela, e ele olhava para o meu pão e eu olhava para o pão dele, eu dei uma primeira mordida feroz no meu lanche de pão com banha, e ele viu que eu comia com muita vontade, então ele disse assim: – Seu pão não tem mortadela? Eu lhe respondi: – Não! Minha mãe faz um creme salgado e coloca no meio do meu pão. Eu acho bem gostoso! Não é que ele se interessou e queria trocar …. O pão dele estava bem cheiroso e lotadíssimo de mortadela. Então lhe falei torcendo para ele aceitar definitivamente a troca: – Mas já dei uma mordida no meu lanche! Ele diz: – Eu também! Mais uma vez lhe fiz a última pergunta: Você não tem nojo? – Eu não! Disse ele. Então trocamos, aquele dia comi gostoso e rapidamente o pão com mortadela…. Às vezes (quero dizer muitas vezes) Deus opera pequenas coisas na nossa vida, que se tornam grandes …. Imagine se meus colegas vissem os pedaços de polenta?!? (risos)…
… Depois que o meu pai melhorou um pouco da cabeça. Após o tratamento realizado na cidade de Itapira. Começou a frequentar a nossa casa o irmão dele, meu tio Oscar. Ele aparecia para nos falar do Senhor Jesus. Meu tio serviu na Aeronáutica, depois casou-se com uma moça portuguesa chamada Carmem. E nós em casa a chamávamos de “Carminha”, a Carminha e sua família eram cristãos, e o meu tio se converteu ao cristianismo evangélico, e com o passar do tempo se tornou “pastor” e trabalhava também como vendedor de livros. Ele evangelizou (falou de Jesus e do Evangelho) para boa parte de sua família. Então agora, era chegada a hora de meu pai e por “tabela” todos nós. O tio ele era muito brincalhão. E minha família vinha forte da tradição católica apostólica romana. Éramos frequentadores assíduos da missa, não perdíamos um domingo. Meu pai, mãe, eu e irmãs todo domingo íamos a missa.
Quando meu tio chegava em casa, eu me lembro de minha mãe que rapidamente corria para outro quarto para não ouvir meu tio. Agora eu, meu pai e minhas irmãs, sentávamos na cama para ouvir, e as vezes minha mãe sentava numa cadeira para ouvir e o assunto era sempre sobre: Pecado, salvação. Ele falava também das imagens pagãs. Por isso, minha mãe ficava “uma onça”. E quando ele ia embora, minha mãe “sentava o pau (era criticado)” nele, dizendo que ele era protestante (tudo isso começou com o Alemão Lutero (risos)), e de que ela (minha mãe) não iria abandonar os seus “santos”.
Às vezes meu tio dizia à Conceição (minha mãe), que ela seria bem mais “forte (dedicada) ao evangelho que o Orlando (meu pai) …. Nisto, ela ficava bem mais brava ainda, eu acho (risos). Mas, meu tio “acertou na mosca (acertou com precisão)”, minha mãe permaneceu firme, e meu pai infelizmente se desviou das doutrinas e chegou até a “cair” nas bebidas (um ator, músico que “caiu” nas bebidas e teve seu lar, carreira e casamento arruinado foi: Desi Arnaz (Desiderio Alberto Arnaz y de Acha III), ele e sua esposa Lucy eram proprietários dos “Studios DESILU” que produziram as séries: “Os Intocáveis”, “Jornada nas Estrelas” e “I Love Lucy” ….
Não fugindo da minha estória. Voltemos ao assunto: …. E num desses dias, meu tio trazendo a luz do evangelho para nós ali em casa. Falando novamente sobre o pecado, do inferno, etc. Ele nos deu um livrinho pequeno, mais parecido com uma revistinha, que tinha desenhado vários corações, e ali nos corações tinha uns com bichos: cobras, porcos, rãs, etc. Tinha corações até com o maligno. Eram corações cheios de pecados sem espaço para Deus. Agora tinha também corações que foram limpos e purificados pelo Sangue de Jesus, tinha a pomba (que é o símbolo do Espírito Santo) Obs: Esse “livrinho” o adaptamos, conseguimos imagens coloridas, e transcrevemos aqui para a apostila, está no artigo: “O Coração do Homem”. Aquilo foi entrando em nossa mente. E a gente se reunia no quarto e ficávamos discutindo o assunto, quando o meu tio já tinha ido embora. E no quarto, existiam aquelas venezianas antigas de madeira, toda cheia de travessinhas. E de repente ouvimos um forte barulho na janela. Ficamos todos assustados e com medo…. Depois, numa outra visita do meu tio ele nos revelou que era ele nos assustando. Foi assim: E eu, disse para ele: – Tio! Uma pessoa “crente” pode mentir? E ele respondeu: – Não! De maneira nenhuma, a mentira é de Satanás, ele é o “pai da mentira”. Está em João 8:44. Então lhe fiz uma pergunta: – Foi o senhor que “mexeu” na janela no culto passado? Ele ficou um pouco vermelho, e deu um sorriso e disse: – Eu quis dar um susto em vocês! E minha mãe sempre no outro quarto, não sei o que ela ficava fazendo lá! Acho, que ela ficava rezando com os seus santos para meu tio ir embora logo (risos). … Certo dia, o tio Oscar “apareceu em casa” e convidou meu pai, para ir com ele no culto (reunião de adoração), que lá no templo vinha um pregador de longe. Meu pai aceitou o convite, e me arrastou também com eles. E o “tempo” estava armando chuva e era umas 7 e meia dum domingo. Meu tio, ele tinha, um carro que se andasse muito com ele, ele esquentava, era um “Gordini (foto abaixo)”. Poderemos ver este carro Gordini e também um DKV no filme que está inclusive na plataforma de Stream da Netflix. Estou comentando do filme: Operação Final de 2018. Filme que retrata a procura (busca) 15 anos após a 2ª Guerra Mundial pela equipe secreta da Mossad de Israel (tipo F.B.I. – C.I.A. dos EUA). Então 15 anos depois da guerra eles encontram na Argentina o nazista Adolf Eichmann E neste filme temos os carros: Gordini e DKV…. Obs. Este filme está também no pen-drive…

Voltando (Eu estou imitando o Vanderlei – (risos))…. Fomos então pela Via Anchieta, sentido litoral/ Santos e no meio do caminho, o carro balançou e eu fiquei com medo. Meu tio parou o carro, e juntamente com meu pai os dois desceram, e verificaram que o pneu havia furado. E neste momento a chuva começou a aumentar. Então meu tio colocou o macaco no carro, e começou a levantar o carro comigo dentro. Eu era tão magrinho que nem deu diferença no peso (risos).
Uma coisa eu digo e você pode acreditar, eu não consigo me lembrar de ter chegado no Templo…. Parece que apagou da minha mente, só que me vem num relance de meu pai neste dia ter compreendido o “plano da salvação” e de lá na frente das pessoas no culto de ter reconhecido o Senhor Jesus como seu único, suficiente e eterno Salvador. Parece que vejo este momento: Dele indo para a frente com as mãos no peito e reconhecendo que era pecador e se entregando a Cristo. Pois, foi neste dia que meu pai começou a sua conversão.
Outra coisa que não lembro é de ter chegado em casa…. Acho que dormi…. Neste tempo que nos era passado o Evangelho em casa. Meu pai e eu já não íamos mais na Missa da Católica, só minha mãe continuava firme e arrastava com ela uma de minhas irmãs….
> Chegando aos anos de 1968/69 no cinema era lançado o filme: “A Pistola é minha Bíblia” com o Giuliano Gemma, comentado aqui na apostila. Então em 1968/69 minha mãe não resistiu e também se converte (muda o seu caminho, suas atitudes, seus pensamentos, etc.) e ela entendeu o sacrifício do Senhor Jesus em favor dela, e de que logo já quis se batizar, isto foi através do meu pai que já estava no processo de conversão e já tinha também se batizado. Minha mãe ficou com uma fé tão ardente que arrastava todos nós para o Templo e não perdia nenhum culto de adoração, de ensino, etc.
E ali no Templo, precisava de uma zeladora, foi lhe oferecido o trabalho, ela aceitou, e com muita dedicação fazia o trabalho. E mais um tempinho havia se passado, agora de 1969/70. Nós já havíamos nos mudado para o bairro Tatuapé (Tatu a pé – risos) – SP. A gente mudava muito, parecíamos ciganos (risos). Iguais os outros protagonistas aqui da apostila (risos)…. Recapitulando: Minha mãe cuidava do Templo três vezes por semana.
<… Voltando um pouco no tempo, como já relatei, a gente passou muitas necessidades, em uma das casas que a gente morou, na entrada tinha um portão bem alto e estreito com duas folhas de ferro, e o desenho do portão era todo trabalhado parecia da época medieval… Passando o portão, tinha um corredor comprido de “terra batida” com uns 10 m de comprimento, e lá no fundo haviam duas casas… Na primeira casa morava a Dona Helena e sua filha a Monica. E a outra casa era a nossa casa. E do lado, existia um terreno com “pé de limão”, “pé de goiaba” e mais duas árvores.
Meu pai trabalhava de ajudante numa fábrica. Eu penso que ele ganhava muito pouco. Eu não tinha o costume de perguntar as coisas para ele. Essas coisas de adultos, você sabe! Esses assuntos ele comentava somente com minha mãe. Mas, eu percebia que as coisas não estavam assim tão bem…. Pois, nesta época ficamos uns três meses alimentando-nos com a polenta. Era polenta de manhã no café (que muitas vezes era chá de erva-cidreira do terreno ali ao lado com as árvores), e outras muitas vezes era o chá-mate, que era bem mais barato que o pó de café, e a polenta seguia no almoço, e aparecia a tarde, e também na janta…. A polenta que minha mãe fazia era de uma quirela, e misturava também uma quirela de arroz para render e todos nós comermos felizes. A polenta não tinha molho de tomate não! E de vez em quando aparecia o feijão em casa (eita figurinha difícil! (risos))….
Meu pai à tarde quando saía do serviço, ele passava na casa do irmão dele que morava não muito longe, morávamos no mesmo bairro. E quando chegava o Domingo, a mamãe fazia agora sim, a polenta com molho, e uma porção pequena de carne moída, e como eu gostava e comia com gosto ficava até barrigudinho. E as vezes quando estava o tempo mais frio mudava-se o cardápio em casa, saía a polenta e entrava no lugar a sopa de fubá.

Existia também, ali perto, uma senhora que possuía um empório (armazém). Essa senhora sempre dava para mamãe (pra gente) bastante fubá… Eu só não entendia porque ela só nos dava fubá. Tinha de tudo lá no empório dela…. Um dia, eu reclamei para a mamãe, e ela me respondeu assim (e eu nunca mais esqueci): – “cavalo dado não se olha os dentes”. Agradece a Deus, pelo que Ele nos dá! Percebeu? Como minha mãe estava “bem crentona!” (risos). Foi assim que fui crescendo, comendo o que minha mãe e meu pai podiam colocar no nosso prato. E com isto aprendi a ser grato a Deus em tudo….
Aí eu indo no templo com minha família. Conheci e peguei amizade com o filho do pastor Abdias, ele se chamava Samuel, ele trabalhava numa casa que fabricava e embalava doces: tipo paçoquinha, doce de leite, de amendoim. Então o pastor ficou sabendo de nossa situação financeira, começou a nos ajudar com alimentos, e eu magrinho se eu tirasse a camisa podia contar as costelas, e a barriga era funda, quase na espinha. Se a gente ficasse barrigudo a minha mãe nos dava remédio para lombriga (risos). Bom! Então fui ali nessa casa da paçoquinha e comecei a trabalhar junto com o Samuel a embalar os doces…. Continuará….
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