ERIC LIDDELL
Eric Liddell, segundo filho do reverendo James Dunlop Liddell, nasceu em 1902 no norte da China, na cidade de Tientsin. Na época em que moravam lá, devido à forte perseguição aos estrangeiros e missionários, muitos corriam risco de vida por todo território chinês. Porém seus pais Mary e James resolveram permanecer por lá, já que haviam sido enviados pela London Missionary Society.
O pai de Eric adorava ler o jornal escocês em voz alta para toda a família. Em uma edição, James leu uma emocionante notícia sobre Wyndham Halswelle, um grande corredor da Escócia e o primeiro escocês a ganhar uma medalha nos Jogos Olímpicos. Vendo a expressão e emoção de Eric, seu pai rapidamente comunicou que a vitória não era o mais importante, mas sim, a maneira como você correria a corrida da vida. Citando o trecho de 1 Coríntios 9:24, quando o apóstolo Paulo disse: “Corram de tal modo que alcancem o prêmio”.
Em 1907, com 5 anos, Eric e seu irmão Rob entraram em um colégio interno para filhos de missionários, o qual mais tarde seria chamado Eltham College, em Londres. Foi nesta escola durante seus anos de colégio que Eric descobriu os dons dados por Deus na área do esporte: rugby, cricket, e corrida. Seu colégio o nomeou como o melhor atleta do campus em 1918. Em certo evento de corrida no ano seguinte, Eric estabeleceu um recorde para a escola que durou 80 anos até ser quebrado: 100m em 10,2 segundos! Eric também era conhecido por ser muito amigável e empático com todos os colegas, especialmente com aqueles que não eram tão talentosos. Embora não fosse exigido pela Eltham College, Eric começou a frequentar estudos bíblicos e também começou a visitar os doentes de uma missão médica que atuava nas proximidades.
Depois de concluir o ensino médio, Eric entrou na Universidade de Edimburgo para estudar ciências, com o claro propósito de lecionar no Colégio Anglo-Chinês, ao voltar para a China. A equipe de rugby escolheu Eric para representar a Escócia internacionalmente. Apenas alguns meses depois é que Eric decidiu se juntar a equipe de atletismo. À partir daí, começou a ganhar diversas corridas. Em 1921, no Campeonato Amador da Associação Escocesa de Atletismo, Eric ganhou muitas corridas e bateu diversos recordes. Ao retornar para o campus, imediatamente ofereceram a ele um preparador físico.
Quando o treinador esportivo se aproximou de Eric para oferecer um Coach a ele, Eric não tinha certeza de que queria um treinador ou se de fato manteria suas atuações na corrida. Afinal de contas, ele havia entrado faculdade para seguir seu plano de se juntar ao pai e lecionar na China. Eric estava em uma encruzilhada de fé e decidiu falar com sua mãe. Eric perguntou: “Mãe, Deus realmente quer que eu corra? Você sabe de meus planos. Você sabe que sempre quis trabalhar com o papai na China. Como a corrida e todo esse treino vai me ajudar a chegar lá?”. Ela respondeu: “Deus te deu um dom imenso, Eric, disso estou certa. Você pode não ir para a China durante alguns anos… talvez seja esse o plano de Deus para executar agora: dar a Deus toda a glória com este seu dom”.
Eric decidiu que iria prosseguir correndo e concordou em ser treinado por seu novo preparador físico. No filme “Carruagens de Fogo”, Eric tem uma discussão sincera com sua irmã Jenny, comunicando a razão para sua decisão. Eric explica, “Eu fui feito para um propósito, e isto tem a ver com a China, mas Deus me fez rápido também. Quando eu corro, sinto que Deus tem prazer, e ao correr e vencer, isso se tornará em honra para Ele. Se eu não correr, seria como desagradar ao Senhor”.
Neste tempo, seu irmão Rob e alguns outros alunos começaram a viajar por diversas cidades na Escócia para falar sobre Jesus. Depois que o grupo percebeu que precisavam de um orador bem conhecido para atrair uma grande multidão, convidaram Eric para falar na próxima cruzada.
Na universidade, Eric passava todo seu tempo falando sobre sua fé, estudando para suas aulas e treinamento para as próximas corridas. Depois de vencer todas as corridas na Escócia, e também depois de ter batido Harold Abrams, da Universidade de Cambridge, a melhor esperança da Inglaterra para os próximos Jogos Olímpicos, Eric foi nomeado o homem mais rápido na Escócia!
Quando Eric estava para ir aos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, seu treinador recebeu uma correspondência com a agenda das corridas e ficou literalmente atordoado. Eric estava para competir a corrida de 100m que o tornaria o homem mais rápido do mundo. Porém, suas primeiras corridas de qualificação seriam realizadas aos domingos! O treinador sabia que Eric tinha uma forte convicção de não correr no domingo (ele nunca tinha corrido ou treinado no domingo), porque ele acreditava que não era certo tomar a honra no dia de descanso do Senhor. Depois de muita discussão e pressão da imprensa por toda a Grã-Bretanha, foi decidido que Eric correria nos 200m e 400m. Essas modalidades haviam sido marcadas em outras datas, mas não eram o forte de Liddell.
Pouco antes de correr os 400m, um amigo da equipe britânica caminhou até Eric e disse algumas palavras. Após isso, entregou-lhe um pequeno pedaço de papel. Eric sabia que em apenas algumas horas, iria correr a corrida mais importante de sua vida. Ao ler o papel que havia guardado em seu bolso, ele leu: “No antigo livro diz: Honrarei aqueles que me honram” (I Samuel 2:30). Eric correu a corrida de 400m, ganhou a medalha de ouro, e estabeleceu um novo recorde mundial: 47,6 segundos. Ele não só ganhou uma corrida em que não estava acostumado a competir, mas também terminou cinco metros à frente de seus adversários!
Eric tinha ultrapassado o sucesso de Wyndham Halswelle, e agora estava sendo chamado de o próximo Rob Roy e William Wallace, heróis nacionais da Escócia. Quando Eric foi questionado sobre sua nova fama e o segredo do seu sucesso, ele respondeu: “O segredo do meu sucesso ao longo dos 400m é que eu corri os primeiros 200m tão rápido quanto eu podia. Em seguida, nos próximos 200m, com a ajuda de Deus, eu corri ainda mais rápido!”.
Após os Jogos Olímpicos e sua graduação na Universidade de Edimburgo, Eric volta para a China e consegue uma indicação para lecionar ciências, religião e esporte para os anglo-chineses, mesmo tendo ficado longe da cultura por mais de quinze anos. Depois de viver na China por mais ou menos 20 anos, ter construído a primeira arena esportiva em Tientsin, conhecido sua esposa Florence, e de ter tido dois filhos, Eric morreu em 1945 na idade de 43 em um campo de prisioneiros japonês em Weihsien, China cerca de 100 milhas ao norte de Tietsin.
O legado de Eric não era o que Deus fez por ele na China, ou a medalha de ouro de ouro que ganhou. Seu legado é a maneira pela qual tomou decisões de acordo com suas convicções dadas por Deus para executar a corrida da vida, a fim de obter o prêmio. O prêmio era a vida abundante que ele descobriu por sua fé corajosa em crer que Deus estava no controle, fato que ele pode ter o prazer de experimentar através de sua obediência ao Senhor.
Agora para refletirmos vamos para a Bíblia e refletirmos nas palavras do Apóstolo Paulo: Ele nos chama atenção assim: “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis… (1ª Coríntios 9:24). Então o Ap. Paulo sabendo que todos nós estamos “nesta corrida” ele nos incentiva a “correr” e alcançar o prêmio…
Para prosseguirmos nas palavras do Ap. Paulo, me lembrei de que quando treinava artes marciais, tínhamos em comum um inimigo imaginário então ficávamos praticando os movimentos chamados de Kati (no Kung Fu) e Kata (no Caratê). Vamos prosseguir, nas palavras de Paulo: … E todo aquele que luta de tudo se abstêm, eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. Paulo continua: Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar (Kati, Kata, etc). Antes subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado. 1ª Coríntios 9: 24 ao 27.

Há aqueles que tentam justificar seu ritmo lento pelas outras pessoas que estão mais devagar. É verdade. Mas, provavelmente, há outras que estão à frente. Você e eu não devemos nos preocupar com o fato de haver pessoas atrás ou à frente. Você deve simplesmente correr sua própria corrida. Ah! Lembrei-me de uma corrida que fiz com um colega (Paulinho) na Academia da Força Aérea. Para se ingressar na Força Aérea naquela época em 1979 havia um teste de aptidão física, onde tínhamos que correr 2.400 metros em 12 minutos (ali na academia era na época o trecho compreendido entre os alojamentos dos soltados até o ginásio de esportes dos cadetes (ida e volta) Foto abaixo a entrada do alojamento em 1979

dos Soldados da P.A. (Polícia da Aeronáutica da qual eu fazia parte)) Nas recordações ficam as saudades dos bons momentos….
Nesta prova “de corrida” ficavam vários sargentos pelo percurso gritando… Desde o primeiro que fez o disparo para começarmos a corrida até o último com o cronometro na mão. Eu, já na “reta da chegada” ao avistar o último sargento, já não aguentava mais a correr e vinha caminhando, pensando já que havia sido desclassificado, pois passaram sobre mim vários outros rapazes correndo que para mim passaram é voando (como diria meu irmão Barros). Bom! Olhando, eu para o sargento, e ele olhando para o cronometro me disse: – Corre que ainda dá tempo! Então me animei busquei forças não sei onde e corri e consegui… Mas muitos infelizmente desistiram da corrida, e portanto não conseguiram completar a prova…
Deus não nos chamou, assim como nos exemplos meu e dos sargentos… Deus não nos chamou para corrermos a corrida dos outros. Somos chamados (convocados) para correr as nossas próprias corridas. Eu, você, e todo habitante deste planeta, quer queira ou não está nesta corrida …. Sairá vencedor ou perdedor …. Está corrida eu posso e você também pode sair vencedor …. O que você decide????
Agora vamos ao Apóstolo (Discípulo) Pedro: Após Pedro se recuperar de haver negado a Cristo, Jesus disse a ele segue-me. Então Jesus contou-lhe como terminaria a sua vida. Enquanto eles caminhavam, Pedro notou outro discípulo, João, que estava caminhando logo atrás deles. Pedro perguntou: – “Senhor, e quanto a este?” (João 21.21). Jesus respondeu: “Se Eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que te importa? SEGUE-ME TU”. (João 21.22). Que cada um de nós ponha seu coração na corrida da vida, o cronometro nos avisa ainda dá tempo! Assim como eu olhava para o sargento, nós devemos agora olhar é olhar firmemente e confiantemente em Jesus.
Eric Liddell – Correndo para a Glória de Deus – A vida de Eric Liddell nos lembra que o sucesso verdadeiro não está apenas no pódio, mas na fidelidade a Deus em cada passo da nossa corrida espiritual. A Bíblia é rica em metáforas sobre corrida, perseverança e foco, e podemos aprofundar ainda mais essa lição.
– A corrida exige foco – O escritor de Hebreus nos dá uma direção clara: “Portanto, nós também, pois que estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé…” (Hebreus 12:1-2). Eric Liddell tinha esse foco. Ele não corria apenas por medalhas; corria porque sabia que Deus tinha prazer quando ele corria para a Sua glória. Da mesma forma, devemos eliminar aquilo que nos atrapalha espiritualmente — sejam hábitos, distrações ou influências — para manter os olhos fixos em Cristo.
– A corrida exige disciplina – Paulo escreve aos filipenses: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:14). No atletismo, como na vida espiritual, não há vitória sem disciplina. Eric se recusou a correr no domingo, mesmo diante da pressão mundial. Essa disciplina não era apenas física, mas também espiritual — fruto de convicção inabalável.
– A corrida exige resistência até o fim – Jesus disse: “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” (Mateus 24:13). O momento mais difícil da corrida é quando o corpo grita para desistir. Na vida espiritual, o inimigo tentará nos convencer a parar, mas a vitória é daqueles que continuam mesmo quando o caminho parece impossível.
– A corrida exige conhecer a linha de chegada – Paulo, no fim da vida, pôde dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora a coroa da justiça me está guardada…” (2 Timóteo 4:7-8). O que vale mais que uma medalha olímpica é a coroa incorruptível que o Senhor dará. Eric Liddell terminou sua corrida terrena fiel, não apenas como campeão olímpico, mas como servo obediente no campo missionário.
– A corrida é individual, mas não solitária – O Salmo 119:32 diz: “Corro pelo caminho dos teus mandamentos, quando me alargas o coração.”. Embora cada um tenha sua própria pista, não estamos sozinhos. O Espírito Santo é como o “treinador” que nos orienta, fortalece e corrige, para que possamos correr com alegria.
– A corrida é espiritual, não apenas física – Isaías 40:31 nos lembra: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.”. Eric sabia que a força dele vinha de Deus, não de si mesmo. Nós também precisamos depender diariamente da força que vem do alto.
Conclusão – Ainda dá tempo de correr – Assim como eu ouvi o sargento dizendo “Corre que ainda dá tempo!”, Deus hoje também está dizendo: “Filho, filha, ainda dá tempo de recomeçar, ainda dá tempo de se levantar e correr para Mim.” Não importa se você tropeçou, se ficou para trás ou até se parou no meio da corrida. Levante-se, olhe para o Autor da sua fé e corra. Não para competir com outros, mas para alcançar o prêmio que jamais se corrompe.
Parte Final deste estudo: Corre! Que ainda dá tempo (parte final)
Faça um comentário